A Volta do Oásis By Hydrofoil

2017 tem sido um ano bem intenso pra mim, graças a Deus.

 

Após participar de uma expedição no Amapá para desbravar novas pororocas, e fazer uma linda viagem para Chapada dos Veadeiros em Goias, embarquei rumo ao nordeste para o início da minha temporada trabalhando de guia para o Surfin Sem Fim, uma empresa especializada em travessias de kitesurf no nordeste do Brasil.

A primeira rota que trabalhei foi a fantástica Delta Experience, onde pudemos desfrutar do Delta do Parnaiba por 3 dias. O grupo era inteiramente de amigos do Rio de Janeiro, o que tornou a experiência ainda mais gostosa.

 

A rota terminou em Atins, nos Lençois Maranhenses. O plano era partir para uma aventura na Amazonia, mas como eu amo tanto aquele lugar, acabei ficando por 12 dias.

 

Decidi então, visitar os 2 oasis que existem no meio daquele deserto de areia que são os Lençois Maranhenses.

 

Em 2014, eu atravessei o deserto caminhando, em 3 dias. Eram dias de caminhada muito longos, e a volta do passeio foi demorada e trabalhosa, de carro e barco.

 

Resolvi desta vez utilizar o kite com hydrofoil como meio de transporte. Seria bem mais simples, encurtaria demais os trechos de caminhada, e não precisaria pegar carro ou barco. Faria tudo utilizando a energia do meu corpo e do vento.

 

Assim, parti de Atins velejando em meu Hydrofoil, mochila nas costas, e o corpo todo coberto protegido do sol. Aquele friozinho na barriga que sinto toda vez que saio para uma aventura solo.

 

Naveguei a favor do vento por aquela praia infinita por 30 quilômetros, utilizando o GPS para achar o ponto mais proximo dos oasis e começar minha caminhada.

 

Parei em frente a uma barraca abandonada. Seria um lugar perfeito para esconder meu material de kite, e partir andando rumo ao interior.

 

Acho uma tampa de um barril de plástico, que usei como pá, e cavei um buraco do tamanho de uma pessoa. Daria para ali enterrar um defunto. Cobri meu material com bastante areia, e amarrei uma linha de kite no material, e a outra ponta em um dos postes da barraca abandonada. Aquelas areias são famosas por serem vivas, engolem objetos que nunca mais são encontrados.

 

Marquei aquele ponto no GPS, e saí caminhando, vagando como um andarilho vagabundo, com os pés descalços, e uma pequena mochila nas costas. Seguia de lagoa em lagoa, parando em cada uma delas para me benzer naquelas aguas. Sobe duna, desce duna, toma banho de lagoa. Ia sempre buscando os melhores caminhos por aquelas dunas que são mini cordilheiras de areia.

 

A sensação de estar sozinho no meio daquela imensidão é inexplicável, uma experiencia espiritual. Um espaço infinito, o silêncio e o movimento da areia com o vento, e toda aquela agua doce e límpida me emocionavam.

 

Foram 3 dias caminhando sozinho, dormindo em redes nas casas dos nativos que vivem dentro desses 2 oasis no deserto. A casa na qual eu dormira há 3 anos atras havia sumido, engolido pelas implacáveis dunas de areia, que não param de se mover.

 

Ao fim do terceiro dia, foi com apreensão e ansiedade que chego ao ponto onde havia enterrado meu material, que era o meu meio de transporte para dali sair. Vou direto ao poste antigo, acho a linha de kite, que sigo até chegar no ponto exato onde se econtrava meu material. Desenterro meu tesouro pessoal, estava tudo intacto e cheio de areia.

 

Caminho por 500 metros até chegar na beira do mar. Monto meu material, e faço um pequeno almoço sentado em uma pequena falésia de barro preto.

 

A volta foi uma interessante navegada contra o vento. O Hydrofoil me possibilita navegar em um angulo formidável contra o vento. Consegui dar um imenso bordo reto durante 20 quilômetros, paralelo a praia. Passo por um grande grupo fazendo downwind, os Kangaceiros. Passo no setido contrário, para surpresa daquela galera, que fica sem entender o que fazia aquele maluco na contra-mão!

 

Ao chegar proximo de Atins, faço um zig zag final, e pouso na bela pousada Vila Guará. Foram 30 quilômetros de contra-vento, nos quais gastei aproximadamente 2 horas.

 

Estava em um estado de espírito flutuante… foram 3 dias com pé no chão, sem telefone, internet, somente eu, a areia, o vento, a água, o céu, e Deus. Mais uma experiência marcante, que me transformam em um ser humano muito rico, um milionário em experiencias! Cada dia me apaixono mais por esse canto do planeta. Obrigado senhor, obrigado norte do Brasil, obrigado Maranhão!

 

A Amazonia me aguardava.

 

Agradecimentos especiais à Surfin Sem Fim, Wollner, Vila Guará e Atins Kite Boarding.

Texto de:

Andre penna

Extreme adventurer

Atleta Wöllner

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