Sinta a emoção e todo suor no relato de Guido sobre o Ironman 70.3 Rio de Janeiro

  • Home
  • Esportes
  • Sinta a emoção e todo suor no relato de Guido sobre o Ironman 70.3 Rio de Janeiro
Iron man

1º de Outubro de 2017

 

Chegou a última e mais importante prova do meu calendário de competições em 2017. Após uma temporada de muito aprendizado, experiência e bons resultados em provas nacionais e internacionais, precisava colocar em prática e coroar todo um ciclo intenso de treinamentos. Desta vez com um gostinho ainda mais especial pelo fato desta edição do Ironman 70.3 ser em casa, no Rio de Janeiro.

 

Com um intervalo curto de tempo entre o mundial de Chattanooga (linkar matéria anterior) e o 70.3 Rio, a estratégia do coach Joaquim Ferrari (@equipejoaquimferrari) era correr o mundial sem fazer polimento, emendando os treinos e deixando pra polir apenas “em cima” do Rio, onde eu, teoricamente, teria mais chance de me superar.

 

FRIO NA BARRIGA: HORAS ANTES

 

Como de costume, cheguei cedo ao local da prova para os últimos ajustes na bike, organizar a suplementação e me concentrar na prova pela frente. Tirei a capa de chuva que protegia a bike, coloquei uma relação confortável pra um início de prova, prendi os géis no quadro, uma caramanhola junto com a suplementação e outra com água nos suportes. Devolvi a bike no cavalete e já procurei um ponto de referência pra não ter dificuldades de encontrá-la na saída da T1, a primeira transição da natação para o pedal.

 

Fui em direção à praia, sentindo a adrenalina começar a correr, visualizando o que tinha pela frente. Estava pronto para enfrentar uma prova dura, principalmente na corrida, então preparei minha mente para um final sofrido! Antes mesmo da largada o sol já nos cozinhava dentro daquelas roupas pretas.

 

Dava pra sentir que o calor seria um adversário duríssimo naquele dia. Entrei na água para dar umas braçadas e sentir um pouco as condições do mar. Então, logo em seguida, parti em direção ao curral de largada!

 

A LARGADA

 

Me posicionei com a faixa no peito, muito concentrado, só aguardando o sinal sonoro.

A direção da prova, no microfone, alertou: “30 segundos para a largada”.

Adrenalina à mil até que soa a buzina e começa aquela correria insana de atletas para o mar. Pela primeira vez não senti os primeiros metros tão embolados. Não me preocupei com os 2 desgarrados e nadei com o grupo. Éramos seis nadando juntos, em um ritmo razoável. Senti que dava pra apertar mas na hora apenas mirei a referência da bóia e segui.

 

A navegação estava complicada, o sol e as grandes ondulações dificultavam a visualização das bóias. Me restava estar atento à técnica pra não me desgastar muito e também não perder o grupo.

 

T1: A PRIMEIRA TRANSIÇÃO, O INÍCIO DO PEDAL E A TEMIDA CÃIBRA

 

Saí da água me sentindo bem. Escutei alguém gritando minha posição, o coach informou meu tempo de distância para o líder e fui processando as informações enquanto corria pra a T1.

Tentei ser o mais rápido possível. Peguei a sacola tirando o capacete, o coloquei na cabeça e afivelei, embolei a roupa de borracha na sacola e já saí da tenda em direção à bike!

Tirei rapidamente a bicicleta do cavalete e iniciei o pedal deixando o corpo ganhar novo ritmo. Logo nos primeiros km fui ultrapassado por um atleta do meu age group. Sabia que ele tinha um pedal forte, então o mantive no campo de visão como referência. Em alguns momentos eu apertava o ritmo e o ultrapassava, e o contrário também acontecia (que fique claro, sempre respeitando a distância permitida). Como fomos a primeira onda a largar e o primeiro grupo de atletas a sair da água, tinham poucos na nossa frente.

 

Quando dei início à subida da grota, me preocupei em não ter picos de potência porque sabia que isso poderia me custar muito no final do pedalada. Fui perdendo contato visual com esse atleta, que subiu muito forte. Em poucos minutos fiz uma ultrapassagem ainda na subida, e naquele momento eu era o 4º colocado na categoria.

 

Foi uma subida controlada e depois uma descida chegando a quase 70km/h. Os atletas à frente se mantinham firmes e atrás nenhuma ameaça visível. Na segunda volta, já na orla novamente, o vento judiava. Fazia força pra chegar a 37km/h e, na volta, em alguns momentos o velocímetro marcava perto dos 45km/h. Continuei me mantendo na potência na parte plana.

 

Vinha fazendo um pedal dentro do esperado, quando no km 88 tive uma cãibra na parte interna da coxa direita. E ela veio forte. Soltei o pé, balancei a perna. A dor foi aliviando aos poucos e segui até a transição em um ritmo um pouco mais leve pra soltar as pernas. Desci da bike e a dor da cãibra sumiu na corridinha até a tenda de troca na T2.

 

T2: A SEGUNDA TRANSIÇÃO E A ESTRATÉGIA

 

Peguei a sacola e em uma atitude meio impulsiva, calcei os tênis sem meia mesmo, coloquei o boné e saí carregando géis, porta-número e uma garrafa com suplementos que a nutri @juliacengel preparou pra mim pra mim, tudo numa sacola. Qualquer segundo é precioso e não queria perder tempo.

 

Fui me ajeitando enquanto corria. Nos primeiros metros após a T2 fui guardando os géis no bolso. Segurei a garrafa com os dentes pra conseguir fechar o cinto porta-número e abri o saquinho que estavam meus comprimidos e já engoli com a ajuda do suplemento líquido que estava na garrafa. Descartei a garrafa vazia e iniciei, de fato, a corrida. Minha FC estava um pouco alta e eu um pouco ofegante nos primeiros metros.

 

Passei em frente à galera, e no meio dos muitos gritos de apoio ouvi o coach gritar: “está há 4′ do líder!”. Ou seja, o monstro @peterpichnoff já havia aberto mais de 1km. Minha estratégia inicial era sair a 3’50″/km, deixar o corpo ganhar ritmo e descer pra 3’45″/km. Eu estava treinado para isso. Mas fazendo uma leitura melhor da prova, devido ao clima, resolvi me manter mais perto dos 3’50″/km e assim segui.

 

Logo nos primeiros km fiz uma ultrapassagem. Eu era o 3º! Minha estratégia estava funcionando e, mais alguns poucos km, a segunda ultrapassagem. Peter era o líder da categoria, só conseguia vê-lo nos retornos. Mais à frente, só o @josebelarmino, líder geral amador.

 

A SONHADA LIDERANÇA

 

Três voltas de 7km e a cada vez que eu passava em frente à galera aquilo me enchia de energia! @miguelmoronee me orientava quanto à distância em relação aos líderes quando, na última volta, no km 14, avistei Peter mais à frente. Não deixei o emocional tomar conta, me mantive no ritmo, encostei no monstro e falei “vem comigo, Peter! Bora, cara”. E segui… Nem acreditava que era o líder da categoria naquele momento!

 

Quando eu me preocupava só em conseguir manter os 3’50”, avistei o líder geral amador.

No Km 17,5, no posto de hidratação, fiz a ultrapassagem… Na mesma hora ouvi passadas coincidindo com as minhas! Apertei o ritmo, 3’45” e o som das passadas me acompanhava! 3’40” e… nada mudou! Minha cara já desfigurada, estávamos abaixo dos 3’40” no km 20. A chegada se aproximava, a galera gritava. Entramos juntos no corredor, subimos no tapete azul, eu ataquei e sofri o contra-ataque! Belarmino foi fulminante e cruzou a linha de chegada na frente, muito merecidamente.

 

Deixei tudo o que eu tinha ali, naquelas 4h19’12” de prova. Seguimos fortes.

 

Tempos

 

🏊: 30’10”

Pedal: 2h25’42”

🏃: 1h19’15”

 

Classificação

 

1º Age Group

2º amador geral

15º overall

Melhor corrida entre os amadores

Blog Comments

Muito legal!

Deixe um comentário

Share This