Cada um tem seu Everest. Qual é o seu? 

Nesses vinte anos de triathlon e corridas de aventura como atleta e treinador dessas mesmas modalidades venho me desafiando e orientando mais de mil pessoas a encontrarem o ápice não só no esporte, mas na vida através do gerenciamento de tempo e equilíbrio em todos os aspectos importantes da vida.

 

Aos 15 anos estreiei em um triathlon em Copacabana, era na distância sprint e logo me apaixonei pelo esporte, mas naquela época meu Everest era completar uma maratona e quem sabe um dia um Ironman. Fui em busca deles e já no primeiro ano de treino convidei meu irmão para fazer a Maratona do Rio (1998) que na época largava no Leblon, corria pela Perimetral, Centro, terminando no Aterro. Fiz e fechei em 3h16, um bom tempo para um “menino” de 15 anos em seu primeiro ano no esporte.

 

Na época meus amigos preocupados em ter a idade mínima para entrar nas boates e eu louco para fazer 16 anos para poder me inscrever em um meio Ironman 70.3, nos primórdios do Meio de Pirassununga uma das provas mais clássicas do Brasil nessa distancia até hoje. No ano seguinte lá estava eu para fazer o primeiro 70.3 da minha vida (atualmente já perdi as contas, mas com certeza em provas oficiais, já foram uns 20).

Continuei treinando e competindo nas provas menores sendo campeão brasileiro júnior no ano seguinte, mas como sempre gostei de provas mais longas logo fui mudando meus treinos para essas distâncias.

 

A paixão pelo esporte crescia cada vez mais e resolvi que minha profissão estaria ligada a essa paixão. Entre 1999 e 2003 cursei a faculdade de educação física e alinhei meu hobby ao meu trabalho. Ajudava muito em casa e mesmo trabalhando 15-17h por dia nunca deixei de treinar para fazer o que mais gosto na vida: viajar e competir.

 

No meu último ano da faculdade (2003 – aos 20 anos) me dei de presente uma inscrição para o Ironman Brasil (naquela época fazíamos a inscrição depois do Carnaval pouco mais de três meses para prova) e nesse ano completei meu primeiro Ironman (já fiz 10). Depois do 1° Ironman fui procurar “outras montanhas” em outros esportes, pois na época achava que havia encontrado meu Everest no triathlon.

 

Conheci a corrida de aventura (uma corrida multisport onde devemos passar por postos de controle orientados através de mapas e bússola) e integrei uma equipe para participar do Circuito Adventure Camp e Carioca Adventure  principais provas da época. Em 2005, o X-Terra (triathlon cross country) chegou  no Brasil e fui um dos primeiros a me inscrever, era tudo que eu queria, juntar os dois esportes que mais gostava em um só.

Nesse mesmo ano, conheci minha atual esposa fazendo uma corrida de aventura e a convidei para fazer o Xterrra também. Juntos nos classificamos para o mundial (no Hawaii) e fomos para nossa primeira “lua de mel” em 2006 e claro, levando bike, tênis e todos apetrechos para nossa aventura. A partir daí, estávamos juntos em todas as aventuras. Dois anos depois (2007) fundamos a Tribus Adventure, uma das primeiras Assessorias Esportivas do Rio voltada ao triatlhon e corrida de aventura. Aos poucos fomos crescendo e ajudando cada vez mais pessoas a encontrarem seu Everest e se ”acharem” através do esporte.

 

Em 2008, participamos do Ecomotion (nesse ano sediando o mundial de corrida de aventura), prova de seis dias ininterruptos, na Rota das Emoções (Piauí, Ceará e Maranhão). Em 2009, nos casamos na Vista Chinesa (nosso local de treino preferido), onde subimos de bike com nossos amigos e realizamos a cerimônia e comemoração lá em cima.

Em 2010, de dia dos namorados dei a minha esposa o mesmo presente que me dei aos 20 anos, uma inscrição para o Ironman Brasil. Me inscrevi também e juntos iniciamos a rotina de treinos para esse desafio. Ela gostou tanto da prova, que no ano seguinte fizemos novamente com mais de 20 alunos que se inscreveram inspirados pelo entusiasmo dela. Nesse ano treinando com mais afinco, fiz uma boa prova e me classifiquei para o mundial.

 

2011… Rumo a Konaaaaaa! Uma ilha mágica que respira triathlon, atletas por todos os lados e até restaurantes na vibe com pratos contendo nomes dos mais importantes atletas do Ironman. Uma verdadeira festa do esporte!

 

Foram anos e anos participando, inspirando e treinando alunos e amigos para provas de triathlon, sempre tentando passar o que mais importa nisso tudo; o crescimento pessoal através da própria superação.

 

Em julho de 2014 nasceu minha primeira filha e com seis meses (fevereiro de 2015) estávamos todos para a conquista de mais um “Everest” meu, ou melhor… nosso (pois a prova depende de todos que estão participando, atleta e equipe de apoio) primeiro Ultraman e através das diretrizes do verdadeiro fundador  do Ironman e Ultraman (sim é a mesma pessoa), seguimos os passos do Aloha, kokua e Ohana (amor, ajuda e família).

Em 2016, voltei a terra do triathlon (Kona) para dessa vez participar do mundial de Ultraman e fiquei na 9° colocação. Decidimos lá ter a nossa segunda filha e hoje com 5 meses será o mais novo apoio do UB515, Ultraman Brasil.

Sempre atrás do meu Everest, acredito estar no início da jornada, o mais importante é ter a cabeça no lugar, saber que não medirei esforços para fazer o meu melhor sempre para ajudar os outros e ser exemplo para crianças, jovens e adultos de todas as idades.

 

Aloha, kokua, ohana!

Bernardo Tillmann, triatleta.
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Blog Comments

Muito legal Bernardo!

Parabéns!

Muito bacana este relato, inspirador. Parabéns Bernardo.

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