Guilherme Guido relata os desafios e a atmosfera do Ironman 70.3 de Chattanooga, EUA

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Com 1,9 km de natação no rio Tennessee, 90 km de bicicleta e 21,2 km de corrida (113 km somados, ou 70.3 milhas), lá fui eu para o Ironman 70.3 de Chattanooga. A ideia deste relato é levar você pra dentro da prova. Soou a buzina. Vamos nessa!

 

CHEGOU O DIA: ANSIEDADE E DUAS EXCELENTES NOTÍCIAS

 

Tudo começou cedo, como sempre. Prefiro me preparar com calma, então sacrifico algumas horas de sono pra ter tempo de fazer os últimos ajustes na bike, organizar a suplementação e me concentrar na prova. O relógio despertou às 5h. Eu, Gabriel Nogueira e Tiago Lessa não demoramos para nos arrumar e logo partimos em direção à largada.

 

Não tivemos acesso às sacolas do pedal e da corrida, então fui direto para a bike. Encaixei a sapatilha no pedal, coloquei minhas caramanholas nos suportes, prendi os géis, encaixei o Garmin e fui pra área comum aguardar a galera.

 

Comecei então a visualizar minha prova. Sabia que a natação seria uma parte duríssima. Fizemos o treino oficial alguns dias antes e foi simplesmente assustador. No percurso do treino, encaramos a correnteza do rio Tennessee por 300 metros, nadando com swimskin e fiz força pra encaixar um ritmo de 2’26″/100m, com a mesma sensação de esforço 1’12″/100m. Até o dia anterior, a roupa de borracha não seria liberada, por conta da temperatura da água.

 

No dia da prova, duas excelentes notícias: as comportas da usina seriam fechadas, o que reduziria muito a corrente do Tennessee River, e a roupa de borracha fora liberada de última hora para a natação.

 

A LARGADA

 

Fui andando para o curral de largada. Concentração e descontração oscilavam. Éramos muitos brasileiros largando juntos, isso contribuiu pra aliviar um pouco a tensão.

 

Pela primeira vez largamos em ondas dentro de ondas. Para cada largada de age group, apenas 6 atletas por vez saltavam do píer. Foi incrível, nunca tinha feito uma largada como aquela.

 

Veio o sinal sonoro. Dois passos à frente e um mergulho de cabeça. Start! Com apenas eu e mais cinco largando ao mesmo tempo, não houve aquele “carinho” habitual dos atletas lutando por espaço. Deu para encaixar o ritmo desde o começo. Cruzamos o rio por 300 m pegando uma correnteza lateral e logo na sequência, 900 m totalmente contra ela.

Foi duro, demorou, mas até que vencemos essa parte sem muitos problemas. Contornei as outras bóias e nadei até a saída, em um escadinha próxima ao píer de largada.

 

A TRANSIÇÃO PARA O PEDAL E A SUBIDA TEMIDA

 

Saí da água, tirei a roupa de borracha, corri em direção à minha sacola e fui para a área de troca. Tentei fazer uma transição rápida já que o tempo da natação não tinha sido lá essas coisas. Tirei o capacete e os óculos escuros e enfiei a roupa de borracha, touca e óculos de natação na sacola, que entreguei para o Staff. Depois corri em direção ao cavalete onde havia posicionado a minha bike. Tudo sob controle. Iniciei o pedal deixando o corpo ganhar ritmo e logo fui ultrapassado pelo Gabriel Nogueira, mas o mantive no campo de visão. Poucos minutos depois, veio Miguel Morone.

 

Foram aproximadamente 8km no plano até iniciarmos a temida subida. E que subida dura! Era um percurso muito travado, com 5 km subindo sem alívio, com um ganho de elevação de aproximadamente 550 m apenas nesta primeira parte. Seguia firme, lembrando dos treinos de subida aqui no RJ, com Nogueira logo à frente e Morone um pouco mais atrás.

 

Tentei cambiar a marcha pra começar uma subida mais forte e minha corrente saiu. Tive que descer da bike pra arrumar. Morone passou perguntando “tá tudo bem?”, mas nem deu tempo de responder. Perdi alguns segundos e logo estava sobre a bike novamente.

Cheguei no topo da primeira subida e ali começava um trecho rolling hills, mas continuávamos ganhando altitude até o km 38, somando no total quase 1000 m acima do nível do mar.

 

Agora sim, 5km descendo. Nada de técnica e muita coragem. Deitei no clipe, pedalei e cheguei a 70km/h, tentando andar ainda mais rápido até chegar na estrada para aí sim imprimir um bom ritmo no plano, na segunda metade dos 90 km. Consegui pedalar forte, ganhei algumas posições e me aproximei de um grupo grande que estava à uns 50m. Os mantive à vista e segui fazendo força até a área de transição.

 

PARA FECHAR, O MEU FORTE: 21,2 KM DE CORRIDA

 

Demorei um pouco na segunda transição pois prefiro fazer a corrida de meia, então tive que me sentar pra vesti-las antes de calçar o tênis, pegar o porta-número, boné e os géis. Antes de sair, parei para pegar água e engolir 5 comprimidos suplementares.

 

Preciso muito me organizar nessa T2 para que minha saída para a corrida seja mais rápida. De qualquer forma, sabia que o percurso duro da corrida me favoreceria perante os atletas mais leves. Pé no chão, hora boa… Afinal, estava treinando muito essa modalidade e encaixando um bom ritmo nos “simulados”.

 

Fiz um início de corrida forte, aproveitando um primeiro declive antes da subida, fechando o primeiro km pra 3’37”. Um tanto ousado, mas eu tinha que arriscar e aproveitar estas partes mais generosas. Usei as subidas pra descansar, com passos curtos, cadência alta, e voltava a atacar nas descidas e no plano, fazendo força e alongando a passada.

 

Durante a corrida eu me lembrava do Iron, na sua forma original, e tudo parecia passar tão rápido! Virei os primeiros 10km abaixo dos 40′.

 

Eu olhava pouco pro Garmin e tentava me manter na percepção de esforço, ouvindo meu corpo! Seguia na minha estratégia: segurar na subida e atacar na descida. Fui ganhando muitas posições, e isso me animou! Até que na segunda volta, no posto de hidratação, estavam distribuindo um tal de Hot Shot. É um suplemento gringo que promete evitar as cãibras. Como eu tava num ritmo forte e as pernas já davam sinal de cansaço, não hesitei: peguei o shot e mandei pra dentro!

 

Parecia que tinha tomado um vidro de pimenta, a parada desceu queimando até o estômago. Tive que parar no posto de hidratação. Bebi água, coca, Gatorade, até que a queimação foi aliviando, o ritmo encaixando e aquele sobe e desce do percurso estava próximo do fim.

Continuei forte até o final. Nos últimos 2 km para o fim da prova, já conseguia a multidão me dando aquela força. Havia muita gente nas ruas torcendo! Fui apertando o ritmo do jeito que dava, até que encontrei mais um declive, um plano e tão sonhado tapete vermelho! Fechei último km a 3’39”, a corrida em 1h24’58”, e fiquei entre os 20 melhores atletas neste trecho da prova!  entre as 20 melhores corridas da categoria!

 

🏊: 1.9km 31’18”

 

T1 4’13”

 

BIKE: 90km 2h34’53”

 

T2 2’30”

 

 

🏃: 21km 1h24’58”

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