Expedição de bicicleta pela Colômbia com Bike Myself

Viajar de bicicleta é uma paixão presente na minha vida desde 2014. A primeira experiência na Europa me fez criar o Bike Myself, com o intuito fazer viagens de bicicleta ao longo de toda minha vida. Com o passar do tempo fui começando a transformar essa minha paixão e sonho em minha profissão e trabalho.

Existem por aí muitos projetos de viagens e muitas viagens que se tornam projetos, mas o que eu queria fazer era algo maior que viajar. Eu queria compartilhar o que eu via dos diferentes lugares e culturas que eu tive contato, falar do impacto de ações inovadoras pelo mundo. Tudo isso de bicicleta. E, no final, inspirar pessoas não só a viajarem e saírem da zona de conforto, mas também a gerarem impacto.

(Pedro e o Monte Fuji, um dos mais belos cartões postais do Japão)

Depois da minha segunda expedição em bicicleta rodando 3 meses pelo Japão produzindo vídeos eu voltei preparado para levar o Bike Myself para outro nível. O caminho foi montar um formato que pudesse ser replicado em diversas outras expedições durante anos. Me juntei a uma organização mundial chamada AIESEC, que desenvolve liderança jovem através de intercâmbio voluntário e estágios internacionais.

Todos os projetos que o intercambista do programa voluntário vai fazer, independente do país, são ligados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável(ODS) da ONU. A agenda, traçada em 2015 para ser alcançada até 2030, consiste em 17 objetivos e 169 metas considerados fundamentais para o desenvolvimento sustentável no futuro em suas três dimensões: econômica, social e ambiental. Algumas dessas metas são Igualdade de Gênero, Erradicação da Fome, Educação de Qualidade, Ação Contra a Mudança Global do Clima, e muitas outras.

A ideia era ir a um país mapear algumas cidades em que a AIESEC esteja presente, visitar as instituições desses locais, documentar em vídeo o trabalho feito pela instituição, os projetos ligado aos ODS que o intercambista AIESEC está aplicando e me locomover de uma cidade a outra de bicicleta, mesclando turismo com esse trabalho que tem intuito de mostrar para jovens brasileiros o que são os ODS e como tem gente trabalhando por um mundo melhor.

Foi assim que montei a próxima aventura. Juntei as coisas e parti para a Colômbia para uma viagem de 2 meses para ver se a minha ideia ia dar certo. Comecei por Bogotá, fiquei alguns dias nessa mega-cidade a 2600m de altitude. Cheia de gente, muita coisa para fazer e para mim, carioca, um friozinho considerável.

Visitei intercambistas com projetos ligados a Educação de Qualidade, Ação Contra a Mudança Global do Clima e Igualdade de Gênero em 4 instituições. Um destaque especial para uma instituição chamada BiblioSeo que é uma biblioteca em uma região muito pobre e muito grande chamada Ciudad Bolivar. Lá, o foco é transformar a vida dos jovens através do empreendedorismo criativo, ensiná-los a trabalhar as ideias, criar projetos, empresas, sempre com foco em planejamento, criatividade e metas.

Foi a instituição em toda a viagem que mais me tocou, porque me identifico muito com o trabalho feito e por que vi a diferença que aquilo fazia na vida de cada jovem. Depois de uns dias em Bogotá comecei a minha viagem de bike.

Como as próximas visitas seriam só em Medellín que fica a uns 460km de Bogotá, no caminho fiz bastante turismo. Visitei cidades coloniais, percorri muitas montanhas, foi um percurso bem chato por conta das inclinações, e antes de chegar a Medellín entrei na região que era dominada por Pablo Escobar.

Dentre as muitas propriedades, a famosa fazenda Nápoles e as muitas histórias que os locais contavam, não dá pra saber até onde eram sempre verdadeiras – virou um certo “folclore” local.

Ao chegar a Medellín, vê-se como a época do narcotraficante ficou para trás. Hoje, a cidade é um grande exemplo de reestruturação, com sistema de transporte bem resolvido, muitas bibliotecas parques nas “comunas” mais pobres (que são como favelas), espaços públicos projetados por arquitetos que funcionam e realmente são utilizados pela população. Foi possível perceber um incentivo enorme a inovação e ao empreendedorismo.

Em toda viagem que faço procuro pensar se no país que estou visitando teria uma cidade que eu moraria por um tempo e na Colômbia essa cidade é definitivamente Medellín, uma cidade incrivelmente avançada. Visitei mais instituições e intercambistas na cidade e pude começar a perceber que o objetivo mais em foco no país é a educação de qualidade (ODS 4): muitos projetos trabalhando com crianças e jovens voltados para o ensino de novas línguas e passar a importância de um pensamento ligado a projeto de vida, independente da profissão que escolher.

Depois de ter encarado as montanhas – que pensei que seria a parte mais punk da viagem – parti rumo a costa caribenha da Colômbia, chegando finalmente em Cartagena. Definitivamente a cidade mais visitada por brasileiros no país, o que precisa ser mudado. Embora seja muito encantadora, a cidade me pareceu uma bolha. Existe uma “cidade muralhada” histórica que é onde todos os turistas ficam, mas ao sair dali, o que vi foi uma cidade com imensos problemas e bem diferente daquela coisa cênica que as pessoas de fora visitam. A impressão que tive da “cidade muralhada” é que aquilo era uma mentira, fora da realidade do lugar, quase como um cenário mesmo.

Seguindo viagem comecei a fazer percursos de 100 a 120 km e encarei um calor insano e por conta da umidade do ar é muito duro viajar de bicicleta. Sem a menor dúvida, os trechos que percorri na costa caribenha fizeram as inclinações entre Bogotá e Medellín parecerem brincadeira. Passei por Barranquilla para mais visitas com a AIESEC, pude ver mais trabalhos incríveis, mas a cidade natal da cantora Shakira não empolga por atrações turísticas, o que empolga ali são as pessoas.

Os barranquilleros, povo muito parecido com o povo brasileiro mais simples, são sempre alegres, de bem com a vida, e contentes pelo simples fato de tomar una fria – como eles chamam a boa e velha cerveja gelada. Barranquila foi a última cidade que cobri com a AIESEC, mas depois dali ainda tive uns dias para pedalar e conhecer alguns lugares na Colômbia.

Fui para Santa Marta e de lá visitei o Parque Nacional Tayrona, uma parada obrigatória para quem gosta de praias paradisíacas, e um destino famoso para brasileiros. Mas o que mais gostei nessa região foi ter conhecido a Ciudad Perdida, uma cidade que ficou por muitos anos perdida no meio da Sierra Nevada e de sua floresta. Para chegar até lá é preciso fazer um trekking de 4 dias na mata, no caminho é possível se deparar com indígenas que vivem na região de maneira bem tradicional. Dali peguei um avião e voltei a Bogotá.

Para fechar a experiência Colômbia descobri nos meus últimos 5 dias uma área com montanhas escaláveis de 4970m, relativamente próxima de Bogotá, chamada Los Nevados. Achei uma agência, negociei de fazer o tour em troca da produção de um vídeo e parti para escalar minha primeira montanha, Nevado Santa Isabel.

Foi uma experiência diferente de tudo que já vivi. Começa a ficar bem difícil respirar a partir dos 4000m, mas me adaptei com rapidez e completei a missão. Chegar ao topo é uma sensação de vitória e conquista que nunca havia experimentado.

O mais incrível da Colômbia é a diversidade. Eu já tinha lido sobre isso, mas só estando lá pude entender o que aquilo realmente significava.

Em dois meses de bicicleta pude conhecer Bogotá que é uma megacidade a 2600m com um friozinho de 9°C, Medellín super desenvolvida que deveria ser exemplo pra muitas cidades brasileiros, a região do café, a costa caribenha, com sensação térmica de até 48°C, praia o ano todo e um povo festivo, a Sierra Nevada uma montanha de mais de 5700m colada com o mar, e Los Nevados um pico escalável com neve…

A Colômbia oferece ainda mais variedade e lugares para visitar. Além de ser um país mais barato que o Brasil, conta com um povo acolhedor, que transforma a viagem em algo muito mais especial. Aconselho qualquer pessoa a visitá-la. Com certeza você vai encontrar sua própria Colômbia mágica.

A expedição foi fantástica, produzi 18 episódio da aventura, que estão todos nessa playlist no youtube: https://www.youtube.com/playlist?list=PL6ap3gT6LNPTsmpGhK1fVxhoGoWiBauVo

A próxima viagem já está nascendo nos mesmos moldes da colombiana, e em breve estou partindo para a próxima expedição.

Para acompanhar é só se inscrever no canal www.youtube.com/bikemyself e seguir o instagram @bikemyself

Abraços,
Pedro Vianna (integrante do Time Wöllner).

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muito legal o relato do Pedro! Parabéns pelo espírito aventureiro!

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