4 mães e um poema

Na semana das mães, nada melhor do que colocarmos alguns exemplos de super mães em nosso blog. Todas são muito especiais e por isso, junto à Luiza Mussnich (@luizamussnich), vamos contar um pouco da história de 4 famílias lindas que são exemplos para todos.

 

Na última semana, contamos a origem do dia das mães e demos sugestões de programas para fazer no domingo (http://blog.wollner.com.br/mae-e-mae/). Mas como as mães — e as mulheres, principalmente — são muito importantes para a Wöllner, resolvemos dedicar mais um texto a elas.

Vamos contar as histórias de quatro mães que praticam esportes com seus filhos. São elas: Adriana Oliveira, Vanessa Campos, Georgiana de Noronha de Grivel e Paula Zamboni.

Antes de conhecê-las, dividimos um poema sobre mães do escritor carioca Henrique Rodrigues de seu mais recente livro, “Previsão para ontem”, publicado pela Editora Cousa e lançado esse ano no Brasil:

SEQUÊNCIA MATERNA

a sede amorosa
o instinto da carne
a dança do corpo
o ventre de ninho
a vida medrada
a barriga em sol
o parto que chega
o choro bem-vindo
a troca de fraldas
o leite de peito
o primeiro riso
a primeira fala
o primeiro passo
as noites em claro
o tempo que passa
o adeus na creche
o livro-brinquedo
o lápis de cor
a caligrafia
as frases-surpresa
aprendeu aonde?
por que tá sem fome?
ó o aviãozinho
e o tempo que voa
e desce daí
e não mexe aí
e já não falei?
quem foi que fez isso?
vem aqui agora!
e é o tempo que vem
e vai já pra cama!
e isso são horas?
e não chega tarde
e leva o casaco
e o frio lá fora
e o medo aqui dentro
e é um rapagão
e é uma moçona
e o tempo passando
e vem a saudade
de quando era um tico
depois a largada
pras portas do mundo
e a sede amorosa
retorna com viço
e lá vem o neto
que coisa mais linda
me lembra você
olha o narizinho
a mãe duas vezes
pega ambos no colo:
sangues do seu sangue
e sorri feliz

 

Jojo

Na família de Georgiana de Noronha de Grivel ou apenas Jojo, o esporte é como herança: o amor pela prática foi passado por sua mãe desde que ela e a irmã eram pequenas. As três mulheres acordavam cedo para molhar os pés no mar bebendo água de coco e as viagens em família sempre envolviam esporte — fossem pedaladas no Jalapão, verões na Bahia ou esquiando mundo afora. O hábito tornou impossível que Jojo não gostasse de se exercitar. O esporte que praticou com maior competitividade foi natação, quando pequena. Depois, na faculdade, fez a primeira meia maratona com uma amiga. Quando foi mãe de Olympia, de 6 anos, Jojo transmitiu os ensinamentos da avó para a neta, tanto o estar ao ar livre quanto o levar uma vida ativa. Theodora, de 3, seguiu pelo mesmo caminho. Hoje, todos os sábados, as três acordam cedo e vão para um parque, em Londres, onde moram. Enquanto Jojo corre com o marido Nico, as meninas fazem aula de futebol. Ballet, jiu-jitsu, natação e tênis são alguns outros esportes que as pequenas praticam.

No último ano, o casal começou a praticar triatlo. Depois de prestar atenção à rotina dos pais, Olympia pediu para competir também. O primeiro quilômetro que correu foi ao lado da mãe. Recentemente, a pequena completou seu primeiro triatlo. Jojo acredita que o esporte é uma forma de manter a sanidade mental, além de estimular o lado competitivo da criança e ensinar disciplina. Tanto nos treinos como na vida, há dias de sol e de chuva. É preciso enfrentar todos eles.

Adriana

Adriana Oliveira sempre foi uma criança ativa e isso não mudou apesar do acidente que a deixou paraplégica aos 11 anos. Ela queria ser atleta: não só o fez como foi cinco vezes campeã nacional do time americano de basquete em cadeira de rodas e participou de competições importantes como os jogos panamericanos. A falta de mobilidade das pernas nunca foi um impeditivo para Adriana, que chegou a participar de competições de 100 e 200 metros rasos e esqui aquático, além de praticar esportes como esqui e salto de paraquedas.

Beatriz, mãe de Adriana, sempre foi grande incentivadora da filha e atleta em horas de lazer. No último domingo, mãe e filha participaram da Wings for Life — corrida mundial que acontece em 23 países nos seis continentes e esse ano contou com a participação de quase 100 mil pessoas —, cuja renda é destinada à pesquisa e cura de lesões medulares. E não foi uma participação qualquer: Adriana ficou em primeiro lugar na categoria feminina de cadeira de rodas e sua mãe foi a única participante mulher a concorrer na categoria 75-80 no Rio (no mundo, 25 correram nessa categoria). Através do esporte, ambas se conectam.

Paula 

Mãe de Olívia, 7, e José, 5, Paula Zamboni sempre foi apaixonada por esportes. Ela e o marido, Rafael, se mudaram do Rio para a Suíça em 2016, quando ele foi fazer um mestrado em gestão esportiva. Paula já fez inúmeras provas de triatlo e corrida, alcançando excelentes resultados, mesmo sem levar a prática de modo profissional.

Ambos sempre praticaram esportes: Paula era do triatlo e Rafael, do surf e do futebol. Por uma questão logística de não ter com quem deixar os filhos e por acreditar que é preciso deixar o confinamento do apartamento e gastar energia, o casal começou a levar as crianças para seus treinos. E os pequenos tomaram gosto.

Antes de acompanharem os pais, Olívia e Rafael sempre viam a mãe cruzando a linha de chegada das competições das quais participava. Os dois, hoje, fazem provas infantis. Há duas semanas, Olívia comemorou seus primeiros 4km corridos. Mas Paula sempre diz aos pequenos que eles não têm que competir, mas se divertir. Ela acredita que cada um precisa descobrir o esporte que quer seguir, por mais que os filhos se inspirem nos pais.

Vanessa

Vanessa Campos, educadora física, já trabalhou em muitas áreas do esporte. Hoje, é professora de zumba e jump e mãe de quatro. Graças ao seu incentivo, todos os filhos praticam atividades físicas. 

Leonardo, o filho mais novo, tem uma paralisia cerebral que afetou sua parte motora e o deixou com uma sequela neurológica. Isso, no entanto, não o impede de praticar atividades ao ar livre: gosta de dançar, de mergulhar em cachoeiras e na praia e fazer piqueniques em locais verdes.

 

Vanessa e Leo já participaram de algumas edições do Pedal da Inclusão, com uma bicicleta adaptada.

Deixe um comentário

Share This